
Aos 10 anos de idade, enquanto seguia, como de costume, seu caminho para a escola nos arredores da cidade de Viena, a austríaca Natascha Kampusch foi seqüestrada pelo Engenheiro Wolfgang Priklopil, pacato cidadão nunca antes indiciado por qualquer delito. Trancafiada durante 8 anos no humido porão da casa de Priklopil, a jovem aproveitou-se de um momento de distração do engenheiro que falava ao telefone. Libertou-se do cativeiro, e, cambaleando, correu pelos jardins das casas vizinhas até encontrar quem a pudesse socorrer.
Duas semanas após a fuga, Natascha deu sua primeira entrevista, divulgada mundialmente pelos meios de comunicação. Deixou, porém, questões-chave de seu seqüestro não-esclarecidas. Acompanhada por Wolfgan, Natascha esteve por diversas ocasiões fora do cativeiro, inclusive durante um mês inteiro em uma estação de esqui, mas diz nunca ter podido fugir. Parecia, também, manter uma estranha relação com o seqüestrador chorando ao saber de sua morte e mostrando-se interessada em herdar sua casa.
Apesar de, segundo seus psiquiatras, apontar fortes indícios de pertubação, Natascha impressionou pelo teor maduro das declarações. Ao contrário do covarde raptor, que se atirou nos trilhos de um trêm ao tomar conecimento da fuga, Natscha afirmou que em nenhum instante pensou em se suicidar pois sabia que nao tinha vindo ao mundo para viver trancada em um porão.
Muitos são aqueles que, quiçá por uma vida inteira, vivem trancafiados em um porão. No entanto, as paredes umidecidas não são tão palpáveis e a falta de uma fonte de luz é uma questão muito mais subjetiva do que meras condicões físicas. As vezes, por um sentimento inesplicável, assim como Natascha, sabemos que nao viemos ao mundo para estar onde estamos, para fazer o que fazemos, ou para sermos como somos. Mas será que isso é o suficiente? Saber para o que não servimos basta? ou só teremos força para, cambaleando, escapar quando finalmente descobrirmos qual é o caminho certo? Será que, assim como a jovem austríaca, já tivemos inúmeras oportunidades de fugir, mas, por medo, preferimos ir ficando, só um pouco mais, até uma oportunidade mais segura? E como saber qual é o momento ideal?
Quando percebemos, oito anos se passaram e é possível que ainda estejamos vivendo a mesma vida de oito anos atrás. E, talvez, nós também acabemos por cultivar uma estranha relação de interdependência com nossos raptores. Mas quem sao eles afinal? Difícil saber. Eles também vêm disfarçados de pacato cidadão e possivelmente ninguém nunca terá a mínima idéia ate que nós mesmos reunamos força para correr e pedir ajuda, ou não. Com um pouco de sorte, também nosso seqüestrador se atirará nos trilhos do trêm transformando-se em uma sombra distante, apenas. Mas caso isso não aconteça cabe a nós cortar os estranhos vínculos que nos únem com ele desde pequenos ate a vida adulta?
Será que acostumados com escuro do precário cativeiro seremos capazes de mais uma vez tolerar a luz do sol em nossos olhos. Com certeza nos primeiros dias ira doer, ou nos fará chorar, mas, enfim, tudo ficara mais claro e caminharemos com mais propriedade.
Vale lembrar que fora do porão, teremos que assumir a responsabilidade pelos erros e acertos e as conseqüências de todo e qualquer ato que tomarmos. Talvez por isso muitos de nós temam fugir, pois pelo menos o porão nao é incerto e parece não ser nossa culpa. Parece.

Há cerca de dois meses arrumei minhas malas e embarquei em um avião rumo a Austrália, tendo como pretenso motivo a importância de aprender inglês para exercer jornalismo. Bullshit, como dizem os australianos.
Eu não precisava aprender inglês e nem é preciso falar inglês para ser jornalista. A verdade é que eu simplesmente precisava partir, deixar para trás tudo o que incomoda e buscar renascer para uma vida mais feliz.
Infelizmente não há escolha sem renúncia e não é possível deixar apenas as coisas ruins quando se sai em uma viagem como esta. Para trás ficaram amigos, familiares e todo o tipo de poessoa querida. Para trás ficaram as aulas de circo, os chimarrões ao por-do-sol do Guaiba e as cervejadas na casa do Anderson (para mim caipirinha), enfim, coisas que, agora mais do nunca, percebo que não quero viver sem.
Recomeçar é sempre dificíl e as vezes, andando sem destino pelas ruas de Sydney, me pergunto o que diabos estou fazendo aqui nessa cidade, ou nesse planeta. Recomeçar este blog também vai ser difíicil. As vezes encarando uma folha de papel em branco, ou a tela do computador, me pergunto que diabos quero dizer. Mas tenho a certeza de que algo precisa ser dito e que algo precisa ser vivido. E é por isso que estou aqui, nesse blog, nessa cidade e nesse planeta, porque ainda acredito que é possíivel e porque eu ainda tenho vontade de recomeçar.

Um pouco diferentes. Muito diferentes. Mas, não completamente diferentes.
Ah, Eu sei q ñ existe um pouco ou muito grávida. Mas nossa língua nos permite esses devaneios. Foto Reuters.
Esta é a música mais melancólica já escrita na face da terra, quissá em todo universo. Traduz bem como me sinto. Há, em um dos texto anteriores, comentário inspirado nela.
By Michele Zarrillo - Tradução livre de Felipe AB
Ah, as letras de músicas italianas, e acho que as brasileiras também, não utilizam pontuação, faça um esforço!


Se todos têm o direito de ser feliz, todos tem o direito de sofrer.
Pobres e ricos, afros e caucasianos, feios e belos,
e todos aqueles que se encontram em algum ponto entre dois extremos
Como subestimar a dor dos outros?
Como negar que a lagrima é verdadeira?
Continuem pra mim. Parei aqui.... Não consigo ir além.
Ps. Mais uma foto descaradamente roubada de www.imagebank.com

Atire a primeira pedra aquele que nunca deu uma cheiradinha no suvaco!

Em primeiro lugar quero pedir desculpas a todos, porque o objetivo desse blog não era de falar sobre minhas angústias, mas coisas do cotidiano de todos nós, como decisões políticas, jogos de futebol, comerciais imbecis e outras bobajadas afins. Parece que não rolou né? Sendo assim, quero reiterar que o nome desse blog é OLHARES DESLIZANTES, e não, OLHARES CONCORDANTES. Então, não se preocupem por achar que não concordam com que eu escrevo, que é uma grande merda, etc.Maybe thats right!
Agora, voltando ao que interessa, ou não: estive refletindo sobre a inquietude frente às novas oportunidades (colocada anteriormente em tópico abaixo). Acho que ainda não cheguei a uma conclusão definitiva sobre o que pode causar esse sentimento, quiçá de culpa, em mim e em todos aqueles que, por ventura, sintam o mesmo. Mas pude perceber algumas coisas:
o fato é que vivemos em uma sociedade desigual (aos que vivem no Brasil) onde, para a maioria, o acesso àquilo que lhe realiza é dificultado ou/e impossibilitado. Desse modo, uma vida de insucessos pode ser justificável, compreensível. Quando passamos a ter oportunidades, não podemos mais nos colocar como vítimas frente à vida. Talvez aí more a inquietude. Perceber que temos nas mãos a possibilidade de ser feliz, e ter que agir para que essa felicidade se concretize. Ter que deixar de lado aquele famoso script e ser dono de nossa própria história. Certamente não é o melhor, mas é sempre o mais fácil, ser a vítima da situação, ter uma desculpa pra o fracasso.
Outra questão é que, pelo menos psicologicamente, à nível de consciente coletivo (não sou psicólogo mas acredito nisto), quando estamos mal, na pior, e, subitamente, tudo começa a dar certo (sobretudo no campo econômico), é como se passássemos da condição de oprimidos à opressores. Parece que passamos a ser ainda mais culpados pelas crianças no sinal, e todo o resto que já sabemos. Não sei se de fato somos ou não, mas passa a parecer que sim.
Ah, e é claro, continuo achando que a religião muitas vezes fode o mundo, e que tem culpa no cartório.
Ah2, quero deixar claro que não creio que ninguém seja obrigado ao sucesso por possuir isso ou aquilo. Erramos, acertamos, somos assim, seres humanos(que rimazinha de quinta hein?).
Ah3, algumas das fotos desse blog (como a acima) são descaradamente roubadas do site www.imagebank.com.


Com este blog, estou tentado praticar o meu texto e as minhas emoções. Mas, hoje está difícil de colocar os sentimentos na tela do computador. Queria falar de um sentimento que trago comigo desde sempre. Não sei explicar direito. É uma espécie de culpa. Não sei exatamente culpa de quê. Talvez, culpa por ter mais coisas e oportunidades que os outros (em breve saberão do que estou falando). E queria saber de vocês, os poucos que visitam de cantinho esse blog tão piegas, se também sentem isso? Se Saberiam colocar em palavras esse sentimento? Em outra oportunidade tento desenvolver melhor eu o que sinto, quem sabe possamos comparar sensações, e eu entenda, através dos sentimentos de vocês, os meus sentimentos.
P.S. Nada a Ver - Agora me veio à mente uma cena do filme Espanglês, na qual os protagonistas discutem, e o homem (não lembro o nome agora, interpretado por Adam Sendler), enraivecido, diz que se sente culpado por todos os problemas e pergunta a moçinha (ñ lembro nem o nome da atriz, a Lúcia de Lúcia e o Sexo), que não fala inglês, se ela entende o significado de "culpa". Prontamente a filha da mesma responde "entende sim, nós somos católicas". Será isso? Resquícios da educação católica? Hum, se eu não sei, quem pode saber né? Abraço.
P.S.S. Eu sei que meus textos vêm cehios de erros de português, mas que se foda!!!

Desde este Sábado, já podemos sentir, em Porto Alegre, os primeiros indícios do inverno que se aproxima. Dá um lance esquisito dentro da gente, uma espécie de nostalgia que nos toma até que nos acostumemos com o novo clima. Dá uma nostalgia até que aceitemos que, logo, logo, estaremos na metade do ano e, além do clima, pouca coisa, ou quase tudo, terá mudado, dentro e fora de nós.
Neste Sábado, também, foi o dia em que esta bizarra cidade completou, ou comemorou, não sei, 234 ânus. O que poderíamos dizer sobre esta data? Que já estaria na hora de ter aprendido alguma coisa, talvez. Por que Porto Alegre é assim? Por que nós somos assim?
Sim, eu sei que vocês que adoram a cidade devem estar se perguntando. Como assim porque Porto Alegre é assim? Como assim porque somos assim? Como assim como assim? Bom, nem tudo precisa ser mastigado. Faço aqui mais uma das minhas proposições, vamos tentar dar um olhar para além da Encol e do Parcão, e vamos também dar uma olhada para dentro de nós mesmos. Pode ser?
OBS: Eu sei que as sensações relatadas neste texto estão no plural. Foi assim que elas nasceram, mas entendo que elas representam o meu ponto de vista singular e limitado.

"Muitas pessoas ainda se rendem muito facilmente ao script que nos entregam no berço, sem bolar outras formas de ser feliz, e até outras formas de ser infeliz." (Martha Medeiros)
As vezes é preciso que os outros, de preferência os amigos, nos digam o óbvio. Então proponho: vamos jogar fora o script e viver de acordo com aquilo que nos toca como pessoas singulares. Que cometamos os nossos erros, e não os erros dos outros. Creio que, só assim, cometermos os nossos acertos. Mesmo que em palavras seja muito mais fácil que em ações, é real.
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